Bob Mould é um dos nomes
mais importantes do rock alternativo norte-americano. A frente do Hüsker Dü nos
anos 80 gravou seis discos que influenciaram muita gente. Nomes como Dave Grohl
e Evan Dando, do Lemonheads, beberam da fonte de Mould, ou seja, a mistura de
punk rock com melodias pop que ficam na cabeça. Nos anos noventa, Mould montou
outro power trio, o Sugar e gravou outros dois grandes discos com banda.
Este ano o cantor e guitarrista
lança seu décimo segundo trabalho solo: Beauty and Ruin. Depois do bem sucedido
Silver Age de 2012, álbum que trouxe Mould novamente à cena do rock
alternativo, Bob vem com um disco que traz as tradicionais características que
o acompanham desde o início de carreira: canções rápidas e certeiras, com a
energia punk na dose certa, muita melodia e o tradicional vocal “enterrado” na
mixagem, em meio a paredes de guitarras furiosas.
Mais uma vez com uma versão
“Power trio”, baixo, guitarra e bateria, Mould vem acompanhado neste trabalho
pela mesma banda que tocou com ele no Brasil em outubro do ano passado (Leia
sobre o show aqui). No baixo conta com Jason Narducy e na bateria Jon Wurster
da banda Superchunk.
O disco tem uma bela capa,
onde têm duas fotos sobrepostas de Mould, uma com ele jovem, fumando um cigarro
e a outra ele atualmente aos 53 anos, calvo, com a barba branca e de óculos. A
foto em si já explica o título do álbum, a foto de Mould jovem seria a beleza
(beauty) e a foto dele atualmente seria a ruína (ruin). Ou seria o contrário?
A primeira canção de Beauty
and Ruin, “Low season”, tem um ritmo mais cadenciado, com paredes de guitarras
e uma letra reflexiva. A melodia conquista o ouvinte logo nas primeiras
audições, mas é um truque de Mould, o restante do álbum tem um ritmo mais
acelerado e pulsante. Em “Little glass pill” o ritmo acelera e já temos um punk
rock tradicional que Mould faz com maestria deste os tempos de Hüsker Dü. “Kid
with a crooked face” é outra pedrada que não deixa o pique cair em nenhum
momento.
“I don´t know you anymore” é
uma daquelas canções pop perfeitas que Mould sempre tem em seus discos, algo
que Dave Grohl faz em seus discos, seguindo a cartilha de Mould. "Nemeses are laughing" tem um ritmo que dá saudade dos anos
90, fase que o rock alternativo chegou ao seu auge. “The war” é outra canção
forte do disco, misturando peso e melodia na medida certa.
“Forgiveness” é a mais pop
de Beauty and Ruin, com violões uma batida que fica na cabeça e harmonia que dá
certa nostalgia. “Hey Mr. Grey” é uma daquelas canções que contam a história de
um personagem enquanto “Tomorrow Morning” tem um refrão matador e se destaca na
parte final do disco. “Let the beauty be” também tem violões e “Fix It" fecha
o disco com muita energia e paredes de guitarra.
Bob Mould neste novo
trabalho não abandonou suas principais características como compositor,
guitarrista e cantor, fazendo seu som peculiar e sem maiores inovações. Isto é
ótimo, neste disco ele dá continuidade a uma bela carreira e mantém o nível do
disco anterior, o elogiado Silver Age. Ponto para Mould que prova que o artista
não precisa necessariamente se “reinventar” a cada disco para provar sua
capacidade. Fazer o que sabe de melhor às vezes é o melhor caminho.
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